Vi várias vezes pelas redes e em conversas de grupos pessoas relatando que sabem que precisam de terapia, mas quando entram em contato com o psicólogo e descobrem os valores, quase desmaiam, fecham a conversa e desistem.
Quem nunca passou por isso, não é mesmo?
Você encontra aquele profissional que parece "o certo", que passa credibilidade e acolhimento, manda uma mensagem cheio de expectativa e, ao receber a informação dos valores... a conversa morre ali.
Como esse tipo de situação tem sido cada vez mais frequente, vale a pena abrir um espaço para falar abertamente sobre terapia, finanças e acesso ao cuidado da saúde mental.
Sei bem que falar sobre dinheiro e terapia é um assunto sensível, complexo e até desconfortável para muita gente. Porém, é fundamental encarar esse tema de frente para compreendermos o que realmente é possível fazer na hora de buscar atendimento psicológico.
Quando entramos em contato com um psicólogo que atende no formato particular, o diálogo sobre o dinehiro é inevitável, trazendo dúvidas sobre o custo da sessão, se a primeira consulta é paga, se o pagamento é semanal ou mensal.
De início, é importante destacar que cada psicólogo possui seus próprios critérios, custos, investimento em formação/especialização para precificar o seu trabalho. Por conta disso, não dá para adivinhar de antemão o valor da sessão daquele psi, e o único jeito de saber é: entrar em contato e perguntando.
Nesse momento, vale a pena olhar para o outro lado da tela. Nós, psis, estamos acostumados e totalmente confortáveis em falar sobre finanças, pois a negociação e a conversa sobre dinheiro também fazem parte do processo terapêutico.
Dialogar abertamente sobre valores, frequência das sessões, duração do tratamento, formas de pagamento ou possibilidade de reembolso pelo plano de saúde são temas diários na nossa rotina. Digo isso porque é muito comum pessoas entrarem em contato, demonstrarem interesse e, assim que o valor é informado, desaparecerem por receio ou com medo de negociar.
Fica aqui o convite: não há problema algum em conversar sobre o valor. Se você se identificou com um profissional e quer muito iniciar o processo com ele, lembre-se de que é importante e faz parte do processo compartilhar sua realidade financeira e perguntar se há margem para ajuste ou formatos diferenciados de pagamento.
Por outro lado, existe também a possibilidade do atendimento por valor social, mas aqui vale um alinhamento importante: valor social não é a mesma coisa que os preços populares divulgados massivamente por plataformas online.
O valor social carrega propósitos, contextos e critérios éticos específicos, sendo proporcional ao valor cheio praticado por aquele profissional. Isso significa que: o valor social de um psicólogo pode ser diferente do valor social de outro.
E se, mesmo após conversar, o valor continuar fora do seu alcance no momento, não desista, pois existem outros caminhos.
É muito comum que psicólogos tenham uma rede de contatos com colegas confiáveis que atendem em diferentes faixas de preço, e pedir uma indicação que esteja dentro do seu orçamento é uma excelente forma de manter o cuidado.
Além disso, centros universitários que oferecem o curso de Psicologia contam com clínicas-escola que atendem a comunidade com valores simbólicos ou gratuitos, assim como diversas ONGs e projetos sociais prestam esse tipo de suporte.
Buscar cuidar da sua saúde mental é um ato de coragem e afeto por você mesmo.
Na próxima vez que o valor assustar, não feche a conversa: converse, pergunte e veja as possibilidades.