Outro dia vi uma pergunta sobre temas da terapia que me fez refletir:
“Para essa questão da vida que eu estou passando, não existe apenas a abordagem X que resolve?”
A resposta curta é: não.
E a melhor forma que encontrei para trazer essa reflexão foi fazendo uma comparação entre as abordagens na psicoterapia e os estilos musicais. Vem comigo!
Quando pensamos em música, estamos falando de algo que reúne inúmeros estilos musicais. Cada estilo tem seu ritmo, seus instrumentos e sua própria forma de nos fazer sentir algo.
Não faz muito sentido dizer que um desses estilos é “a música”, porque cada um possui sua própria forma de compreender, produzir e experimentar uma música.
O importante aqui é lembrar que não existe um estilo universalmente “melhor” ou “mais certo” para todas as pessoas e momentos. Existem estilos diferentes, que podem fazer mais sentido para pessoas diferentes, dependendo das suas preferências e do momento em que estão vivendo.
Às vezes queremos ouvir uma música mais calma e tranquila; tem dias que queremos ouvir um rock pesado e frenético para fazer uma atividade; e tem momentos que um jazz para cozinhar encaixa bem...
Voltando para a psicoterapia, a coisa funciona de forma semelhante.
Temos inúmeras possibilidades de diferentes abordagens: Psicanálise, TCC, Humanismo, Existencialismo e tantas outras.
A “música” seria o processo terapêutico, e os “estilos musicais”, as diferentes abordagens.
A abordagem “X” pode ser mais estruturada e diretiva, como um ritmo bem marcado.
A abordagem “Y” pode ir mais cadenciada, procurando sentir o momento e dançar conforme o tom.
Já a abordagem “Z” pode abrir mais espaço para a conversa e para o improviso, acompanhando os movimentos que vão surgindo ao longo do processo.
Cada abordagem possui seus próprios conceitos, formas de compreender o ser humano e maneiras de pensar o processo terapêutico.
E, assim como acontece com a música, existem preferências (e não imposições).
Algumas pessoas se identificam mais com uma proposta diretiva; outras preferem um espaço mais aberto para a experiência e a conversa. Algumas se aproximam de uma perspectiva mais filosófica, enquanto outras podem preferir uma abordagem mais voltada para pensamentos e comportamentos.
E não há nada de errado nisso.
O objetivo não é descobrir qual abordagem é a “melhor” de forma universal, nem escolher aquela que está mais famosa ou que alguém disse ser a única capaz de lidar com determinada questão.
Assim como acontece com a música, você pode simplesmente não gostar de um estilo (e isso não significa que aquele estilo seja ruim mas é só que não combinou com você).
Na psicoterapia, pode acontecer algo parecido.
Você pode se identificar mais com um determinado ritmo, uma forma de condução ou uma maneira específica de compreender aquilo que está vivendo.
Por isso, mais do que procurar pela abordagem “perfeita”, pode ser importante encontrar um processo que faça sentido para você e um profissional com quem seja possível construir uma boa sintonia, uma boa música.
Porque, no fim das contas, não adianta escolher a música considerada “melhor” se você não consegue acompanhar o ritmo (quem nunca escutou aquela banda ou música do momento e viu que... não curtiu?)
Mas e aí, você já descobriu qual “estilo musical” combina mais com o seu momento?