Vejo muitos comentários de profissionais da Psicologia que trazem um cenário de instabilidade, o que acaba gerando frustração e insegurança em estudantes e recém-formados.
Como sou psicólogo (e atuo no Brasil), sinto que precisamos de uma conversa mais ampla sobre o nosso mercado, para poder trazer para vocês o outro lado da conversa sobre Psicologia e trabalho.
Primeiro, precisamos ir além da ideia de que a Psicologia se resume à clínica.
O mercado está em expansão e trazendo temas que, até 20 anos atrás, não existiam. A saúde do trabalhador, por exemplo, deixou de ser apenas “RH” para se tornar uma questão estratégica nas empresas.
Além disso, há novas oportunidades: a psicologia do esporte (que agora abrange os e-sports) e acompanhamentos especializados, como os voltados ao mercado de apostas e jogos online, são campos que carecem de profissionais.
**Mas, se o seu interesse é a clínica, a conversa precisa ser mais profunda. ** É preciso encarar a clínica como ela é: um trabalho que, na maioria das vezes, é autônomo. Isso exige que o psicólogo desenvolva e encare uma realidade que a faculdade não ensina.
Para construir uma prática clínica sólida, não basta “fazer posts” ou ter um feed organizado/bonito. Há um tripé que sustenta essa construção, composto por: estudo contínuo, experiência/supervisão e redes de contatos, o famoso networking (trocas com colegas e profissionais de outras áreas da saúde).
Porém, um ponto importante: tudo isso caminha lado a lado com o tempo.
Vivemos em uma era de imediatismo, e isso também invade a forma como encaramos a clínica (principalmente para os recém-formados). Alguns profissionais alcançam estabilidade e o que chamam de “sucesso” em menos de 8 anos; para outros, esse processo é mais prolongado. E não há nada de errado nisso.
Gosto de pensar que o caminho na Psicologia é singular. Ele depende dos seus contextos, das realidades financeiras que você atravessa e das possibilidades que o seu território oferece.
Não compare o seu trajeto com o trajeto do outro (principalmente pelas redes sociais).