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Solidão no mundo adulto

Psicólogo Cesar Fontana Folla CRP: 06/135135 · 3 de ago. de 2026 · 2 min de leitura

Trazendo aqui uma reflexão bsatante pessoal e que por isso será uma conversa breve e não tão longa quanto os outros textos mas que talvez faça sentido para alguém.

Algo que me vi pensando esses dias e que não tenho visto ser falado dessa forma pelas redes... vejo muito uma sensação sendo compartilhada sobre a percepção de solidão na vida adulta (25+).

Então, bora lá:

Quando falamos de solidão e pertencimento, falamos sobre compartilhar, atividades, sobre relacionamentos e também sobre expectativas.

Na infância e na adolescência, normalmente frequentamos ambientes que estimulam o social (escola, clubes, atividades em grupo, cursos, etc.).

Mas, além disso, existe algo que considero ainda mais importante: é nesse período que vivemos e compartilhamos muitas das nossas primeiras experiências existenciais: relacionamentos, brigas, afetos, desejos, sonhos.

A sensação que fica é de que “faz sentido compartilhar isso com alguém”, já que os temas são novos, intensos e pessoais.

Compartilhar ajuda a entender, conversar, e, com isso, criar vínculos.

Mas o tempo passa, as experiências mudam e novas temáticas, assuntos, situações (e novos tons) começam a aparecer.

Os ambientes que frequentamos na vida adulta são outros (transporte público, trabalho, escritório).

Mesmo sendo espaços coletivos, o clima que os atravessa costuma ser diferente: estresse, irritação, medo e preocupação passam a fazer parte do cotidiano (bem diferente do que era no passado, não é mesmo?).

Não é à toa que, com o tempo, vamos restringindo o social e, em alguns casos, até nos isolando. (Afinal, quem tem vontade de conversar depois de um dia estressante de trabalho?)

Ao mesmo tempo, ainda que os problemas continuem sendo existenciais, os temas mudam: trabalho desgastante, responsabilidades, perdas, dinheiro, cansaço e o dinheiro (sim falei duas vezes).

E talvez algo vá se transformando indiretamente na forma como nos relacionamos com o outro. A sensação que muitos começam a ter é: “Para que eu vou compartilhar?.. Nada vai mudar mesmo... o outro só vai ouvir e o que eu preciso é resolver.”

E é aqui que, aos poucos, as coisas podem começar a pesar. Porque, quando o compartilhar perde o seu sentido, o outro também deixa de ser um espaço possível de reflexão e pensamentos.

E, quanto mais pensamos dessa forma, mais nos afastamos, deixamos as amizades de lado e nos fechamos em nós mesmos.

E mais nos percebemos sozinhos.

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