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reflexões sobre a clinica

O sexto ano da Psicologia

Psicólogo Cesar Fontana Folla CRP: 06/135135 · 30 de set. de 2026 · 3 min de leitura

Ouvi esse termo de um colega de profissão e achei que ele resume muito bem uma sensação que é comum para muitos psicólogos recém-formados.

Depois de cinco anos de faculdade, você se vê ali: o curso acabou, voce se vê com o diploma em uma mão, o CRP na outra e...

A clínica se torna real. E agora?

Muitos de nós (inclusive eu) já entram na faculdade com um objetivo: o consultório.

Você faz as matérias, estuda para as provas, passa pelos estágios, sempre com aquele pensamento: "Quando eu me formar, finalmente vou trabalhar na clínica".

Os anos passam e você se vê formado.

Aquele plano deixa de ser algo no futuro e vira o seu presente.

A faculdade ficou para trás e as dúvidas da clínica começam a aparecer.

Mas que duvidas são essas?

"Como conseguir os primeiros pacientes? Qual abordagem escolher? Faço uma pós-graduação ou invisto em supervisão? Atendo online ou alugo uma sala presencial?"

São tantas perguntas e decisões que a gente simplesmente trava...

Vem o medo, a insegurança, a ansiedade e, muitas vezes, a frustração.

A clínica do dia a dia não se parece com o que a gente imaginava ou lia nos livros; ela é o que está acontecendo agora, batendo na porta, ali na sua frente.

Por isso o termo "sexto ano" é tão interessante.

Ele simboliza o processo de lidar com a perda daquela clínica idealizada (que ficava rondando na sua cabeça por anos), onde tudo funcionaria perfeitamente, e ter que encarar a prática como ela é, a sua realidade, seus contextos e situações... com suas dificuldades e suas belezas, seus dias frustrantes e suas conquistas.

Hoje em dia, onde todo mundo na internet vende a ideia de consultório perfeito e agenda cheia logo de cara, falar sobre a clínica real é necessário e importante.

Não apenas porque pode diminuir a sensação de que existe algo errado com você por ainda estar começando, mas porque a construção de uma clínica acontece de maneira diferente para cada profissional.

Quando vemos apenas histórias de sucesso, consultórios cheios e profissionais que parecem ter encontrado rapidamente o seu caminho, podemos acabar comparando o nosso início com o resultado que outra pessoa levou anos para construir. E essa comparação pode transformar dúvidas que fazem parte do processo em uma sensação de fracasso.

Falar sobre a clínica real também significa reconhecer que a formação não termina com o diploma. Tornar-se psicólogo é um processo contínuo, que envolve supervisão, estudos, experiência, troca com outros profissionais e, principalmente, o encontro cotidiano com a prática.

Se você acabou de se formar e está se sentindo meio perdido diante de tudo isso, calma.

Esse estranhamento e essa dúvida inicial fazem parte do processo de começar a atender.

A clínica não precisa começar pronta. Ela também pode ser construída enquanto você aprende a habitá-la.

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