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A importância da terapia para o psicólogo recém-formado

Psicólogo Cesar Fontana Folla · 26 de jul. de 2026 · 3 min de leitura

Quando falamos sobre terapia para psis, muitas vezes a conversa acaba girando em torno da ideia da obrigação. Acredito que trazer esse tom para esse movimento tão importante acaba por perder pontos sensíveis na conversa.

A reflexão não é se o psicólogo "deve" ou "não deve" fazer terapia, mas sim observar como essa prática pode oferecer um espaço fundamental à formação, nos primeiros anos da prática profissional e, com certeza, ao* longo de todo o trajeto clínico*.

Antes de mais nada, vamos lembrar que a transição entre ser estudante e tornar-se psicólogo costuma ser marcada por mudanças que passam despercebidas.

Durante a graduação, construímos conhecimentos teóricos, aprendemos técnicas, realizamos estágios e começamos a imaginar como será a nossa atuação. Indo mais além, há os prazos acadêmicos, as conversas com professores e colegas, e por aí vai.

Mas, ao concluir a formação, muita coisa se altera: a entrada no mercado de trabalho, questões financeiras e legais (começamos a conhecer o mundo dos impostos), a construção da própria clínica, as inseguranças sobre o trabalho, as expectativas em relação ao futuro e a responsabilidade de ocupar o lugar/papel de psi.

Não é de se espantar que, nesse período, nós, profissionais de psicologia, sejamos acompanhados por dúvidas, receios e questionamentos. Nem sempre encontramos espaços para falar sobre as angústias relacionadas com a profissão, o medo de não estar preparado ou as incertezas sobre os caminhos que desejamos seguir.

Ao olhar para esse cenário, percebemos como a terapia pode se tornar um importante espaço de acolhimento, reflexão e ampliação de sentido. Um lugar onde o psi também pode ocupar a posição de quem busca compreender as suas próprias experiências, elaborar os seus conflitos e olhar para si mesmo com mais atenção.

Afinal, antes de sermos profissionais, somos pessoas atravessadas por histórias, expectativas, inseguranças e desafios (às vezes esquecemos disso, não é mesmo?).

Por outras palavras, é muito importante para nós ter a experiência de "paciente", sentindo como certos conceitos ganham vida na prática clínica. É uma forma de perceber não apenas o que a abordagem propõe teoricamente, mas também como ela é sentida na relação terapêutica.

E esse é um ponto importante: compreender o lugar de ser paciente.

Estar do outro lado da relação clínica favorece uma compreensão sensível sobre as experiências, lidar com silêncios, enfrentar temas dolorosos e construir vínculos de confiança.

A vivência pode contribuir para uma prática mais realista, empática e atenta às particularidades de cada pessoa atendida.

É importante citar que a terapia não retira todas as dúvidas que acompanham a trajetória profissional (pois elas fazem parte do cenário da clínica) e nem oferece respostas prontas para os desafios.

Mas pode ser um espaço para que o psi se aproxime das suas próprias questões, desenvolva maior consciência de si e construa o seu modo de estar na profissão.

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